Crônica: O sertanejo e sua solidão

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É tempo de inverno. O sertanejo esperançoso preparou a terra. Fez a destoca, ateou fogo nos troncos que restaram. O tapete negro espera a chuva para receber as sementes de abóbora, melancia, feijão, milho e, em algumas regiões, algodão.

 Enquanto a água não vem, o sol escancha na corcunda do homem da roça, mas não destrói a sua mania de persistir. “O sol está quente. É sinal que vai chover à tarde. Essa noite havia um lago no entorno da lua. Vai chover logo”, conversa consigo mesmo.

Os poucos pingos que cai lhe renova a alma. O som do enxadeco em contato com o terreno pedregoso espalha-se num eco estridente no vazio da mata. Com um movimento no pé, a semente some para debaixo da terra. Não demora e as primeiras folhas se abrem e o sol as recebe com esplendor. A lagarta já espera. Está faminta. Depois as borboletas irão colorir o ambiente.

O molhado apenas foi o suficiente para expulsar a vida que brota na cova. É preciso mais água, mas não tem nenhuma nuvem no céu. Desolado, olha da janela e vê o que restou. ”Se ainda chover, vou fazer a replanta”.

Francisco de Assis Sousa é professor e cronista.

Fonte: Prof. Francisco de Assis Sousa

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