A morte do vereador Odeilton Neno da Costa, de 47 anos, após ser atacado por um enxame de abelhas na zona rural de Regeneração, reacendeu o alerta sobre os riscos das ferroadas e a importância do atendimento rápido. O parlamentar ficou internado por dois dias no Hospital Natan Portela, em Teresina, mas não resistiu.
Embora a maioria das picadas provoque apenas dor, vermelhidão e inchaço no local, especialistas alertam que reações alérgicas graves ou ataques com grande número de ferroadas podem colocar a vida em risco.
O enfermeiro Gilmar Alves, membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, explicou os principais sinais de alerta e como agir até a chegada do atendimento médico.
Quando uma picada de abelha pode ser grave?
Segundo o especialista, existem duas situações que exigem atenção imediata:
- Pessoas com reação alérgica grave (anafilaxia), que podem desenvolver sintomas mesmo após uma única picada;
- Vítimas atacadas por enxames, que recebem centenas ou milhares de ferroadas.
Nesses casos de ataque massivo, a quantidade de veneno inoculada pode afetar diretamente os órgãos internos.
“Ocorre uma condição chamada rabdomiólise, que coloca na corrente sanguínea substâncias que provocam lesão no rim. O órgão não consegue filtrar esse componente do sangue e os ductos entopem, gerando insuficiência renal. Quando o rim para, as outras toxinas não conseguem ser excretadas”, explicou o especialista.
Quais sintomas indicam emergência?
É necessário procurar atendimento médico imediatamente quando surgirem sintomas além da dor local, tais como:
- Dificuldade para respirar;
- Sensação de garganta fechando;
- Inchaço nos lábios, língua ou olhos;
- Chiado ou ruído ao respirar (estridor inspiratório);
- Desmaio ou perda de consciência.
O enfermeiro destaca que o fechamento das vias aéreas é o sinal mais crítico:
“Quando há o fechamento da garganta, a pessoa entra em choque anafilático e faz o estridor, que é a dificuldade para o ar entrar. Essa reação alérgica grave só resolve com aplicação de adrenalina. Se a pessoa tiver histórico e a medicação indicada, deve aplicar imediatamente no músculo da coxa.”
O que fazer e como retirar o ferrão?
O enfermeiro orienta que a primeira medida em caso de picada isolada é retirar o ferrão, mas com cuidado extremo no manuseio.
“A medida caseira que recomendamos é retirar o ferrão raspando a pele com um cartão rígido ou uma lâmina cega. Não se deve tentar puxar pegando com os dedos ou pinça, porque isso vai inocular mais a toxina que está na bolsa do ferrão”, alertou Gilmar.
Além da remoção correta, o indicado é lavar o local e aplicar compressa fria para aliviar a dor e diminuir o inchaço. O profissional reforça que pomadas caseiras e receitas populares não devem ser utilizadas.
Em caso de ataque por enxame
Foto: Reprodução / Youtube

Se a pessoa for surpreendida por um enxame, a orientação principal é deixar o local imediatamente e buscar abrigo em um ambiente fechado.
Caso a vítima apresente dificuldade para respirar ou perda de consciência, o SAMU deve ser acionado pelo telefone 192.
“Se a vítima desmaiar e não estiver respirando, mesmo quem não é da área da saúde deve iniciar imediatamente a massagem cardíaca enquanto a equipe de emergência não chega”, ressaltou o enfermeiro.
Quem tem maior risco e como se prevenir
De acordo com Gilmar Alves, a maioria das pessoas só descobre que tem alergia grave após o primeiro contato com a toxina. Crianças, idosos e indivíduos com histórico alérgico exigem atenção redobrada.
Para reduzir os riscos de ataques no dia a dia, o especialista reforça medidas preventivas:
“Nunca faça barulho próximo a enxames. Ao ir para a roça ou áreas de mato, use camisas de manga longa, calça e botas. Evite também roupas excessivamente coloridas e perfumes fortes em períodos de florada, pois as abelhas sentem o cheiro e são atraídas.”




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